Por décadas, boa parte da pesquisa clínica em nutrição e metabolismo foi conduzida majoritariamente com homens, e seus resultados foram transpostos para as mulheres como se a diferença fosse apenas de tamanho. A ciência recente vem corrigindo essa distorção. Flutuações hormonais ao longo do ciclo, gestação, lactação e, sobretudo, a transição menopausal alteram de forma profunda a composição corporal, o metabolismo energético, a saúde óssea e o risco cardiometabólico, exigindo condutas específicas.

Menopausa: o divisor de águas metabólico

A queda do estrogênio acelera a perda de massa óssea e favorece a redistribuição de gordura para o padrão visceral, com aumento do risco metabólico, ao mesmo tempo em que a massa muscular declina. É a tempestade perfeita: a fase da vida em que a mulher mais precisa de proteína, treinamento de força e estratégia nutricional é exatamente aquela em que costuma receber menos orientação estruturada.

A era GLP-1 é majoritariamente feminina

Há uma camada nova e urgente nesse debate: o uso dos medicamentos emagrecedores é predominantemente feminino. Isso significa que os riscos da perda de massa magra e óssea no emagrecimento rápido incidem com mais força justamente sobre quem já enfrenta o declínio hormonal. Some-se a isso condições de alta prevalência, como a síndrome dos ovários policísticos, em que a nutrição atua como ferramenta terapêutica de primeira linha, e o retrato fica claro: o consultório precisa de protocolos desenhados para o corpo feminino, não adaptados dele.

"A ciência tratou a mulher como um homem pequeno durante décadas. O consultório não pode repetir esse erro", afirma Brunno Falcão, CEO da Science Play e idealizador do Nutrição Brasil.

O tema em Brasília

A saúde da mulher é um dos temas transversais do Nutrição Brasil 2026, de 27 a 29 de agosto (quinta a sábado), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, sob o tema "O novo corpo: metabólico, mental e muscular". A programação reúne um corpo docente majoritariamente feminino, com nomes confirmados como Dra. Andreia Friques, com atuação reconhecida em nutrição materno-infantil, Dra. Roberta Muzy, Dra. Bettina Moritz e Dra. Vania Mattoso Ribeiro, e o eixo deve aparecer em diferentes conferências da grade, da composição corporal feminina à estética com responsabilidade.

Referências

  1. Greendale GA et al. Changes in body composition and weight during the menopause transition. JCI Insight, v. 4, e124865, 2019.
  2. Greendale GA et al. Bone mineral density loss in relation to the final menstrual period: results from the Study of Women's Health Across the Nation (SWAN). Journal of Bone and Mineral Research, v. 27, p. 111-118, 2012.
  3. Teede HJ et al. Recommendations from the 2023 international evidence-based guideline for the assessment and management of polycystic ovary syndrome. European Journal of Endocrinology, v. 189, p. G43-G64, 2023.
  4. Rodriguez PJ et al. Semaglutide vs tirzepatide for weight loss in adults with overweight or obesity: estudo de coorte de mundo real, com amostra majoritariamente feminina. JAMA Internal Medicine, 2024.
  5. Holdcroft A. Gender bias in research: how does it affect evidence based medicine? Journal of the Royal Society of Medicine, v. 100, p. 2-3, 2007.

Pautas para a imprensa

Entrevistas com palestrantes e com a direção do evento: Amanda Costa · WhatsApp +55 61 9939-6226

Credenciamento e materiais: sala de imprensa

Serviço

Nutrição Brasil 2026

📅 27 a 29 de agosto, quinta a sábado (congresso) · 30 de agosto, domingo (NB Run)

📍 Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Brasília/DF

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Sobre o Nutrição Brasil, Criado em Brasília em 2014, o Nutrição Brasil é o maior evento de nutrição do país: já passou por 13 capitais, soma mais de 10 mil participantes e mais de 100 palestrantes nacionais e internacionais. É realizado pela Science Play, plataforma de educação em saúde presente em mais de 95 países. Imprensa: sala de imprensa.