Belém (PA) — Poucas cidades do mundo têm tanta intimidade com o ato de se alimentar quanto Belém. Foi a primeira cidade brasileira a entrar na Rede de Cidades Criativas da UNESCO no campo da Gastronomia, em 2015 — antes de qualquer capital do Sul ou do Sudeste. É dona do Ver-o-Peso, a feira livre que há mais de três séculos abastece a cidade de peixes amazônicos, ervas, farinhas e frutas que o resto do país ainda está aprendendo a nomear. E, em novembro de 2025, colocou a Amazônia no centro do debate global ao sediar a COP30. Em 19 de setembro, essa mesma cidade recebe o maior evento de nutrição do Brasil.
A chegada do Nutrição Brasil a Belém tem um significado que passa longe do óbvio. Historicamente, o circuito de grandes congressos de saúde do país se concentrou no eixo Sul-Sudeste — e o profissional da região Norte sempre pagou a conta dessa geografia: passagem aérea, hospedagem, dias de consultório fechado. Levar uma edição completa do evento à capital paraense inverte essa lógica. É a ciência da nutrição indo até onde a alimentação brasileira tem algumas de suas raízes mais profundas.
"O novo corpo": a tese que fala com o momento mais disruptivo da nutrição
A edição de Belém chega sob a tese que orienta todo o ciclo 2026 do evento: "O novo corpo: metabólico, mental e muscular" — uma leitura completa do emagrecimento moderno que articula doença metabólica, cultura, músculo, estética com responsabilidade e a era dos análogos de GLP-1. E dificilmente um tema poderia ser mais sincronizado com o que acontece hoje nos consultórios brasileiros.
A popularização dos agonistas de GLP-1 mudou o ponto de partida da consulta. O paciente que antes chegava pedindo uma dieta agora chega, com frequência crescente, já medicado — ou decidido a se medicar. Para o nutricionista e o médico, o desafio técnico se deslocou: a pergunta deixou de ser apenas "como emagrecer" e passou a ser como emagrecer preservando massa magra, como sustentar o resultado depois da medicação e como evitar o efeito rebote. A literatura recente vem apontando que parte relevante do peso perdido com essas terapias pode incluir tecido muscular quando não há estratégia nutricional e de treinamento adequada — e é exatamente nessa lacuna que se decide a qualidade do desfecho clínico.
Ao mesmo tempo, o músculo deixou de ser assunto restrito à nutrição esportiva para se tornar pauta central de longevidade. A sarcopenia — a perda progressiva de massa e força muscular — e o quadro combinado de obesidade com baixa musculatura, descrito na literatura como sarcopenic obesity, colocaram a força e a composição corporal no centro da avaliação metabólica. Emagrecer "no espelho" e piorar "por dentro" tornou-se um risco concreto da era farmacológica, e o profissional atualizado precisa saber medi-lo e preveni-lo.
Há ainda a camada que nenhuma molécula resolve: o comportamento. Adesão, compulsão, ansiedade, ambiente obesogênico e relação com a comida seguem determinando quem sustenta resultado e quem retorna ao ponto de partida — o que aproxima a nutrição da psicologia e da neurociência do comportamento alimentar. E, na ponta da estética, cresce a demanda por um posicionamento responsável: promessas realistas, composição corporal em vez de balança, e leitura crítica do hype que domina as redes.
Suplementação: mercado aquecido, responsabilidade maior
Esse redesenho do corpo e do consultório acontece em paralelo à expansão acelerada do mercado de suplementação no Brasil — hoje um dos mais movimentados do mundo, com o consumidor chegando à consulta informado, influenciado e, muitas vezes, já suplementando por conta própria. Proteína, creatina e compostos da moda circulam nas redes antes de circular nos periódicos. Nesse cenário, o papel do profissional de saúde muda de figura: ele deixa de ser apenas prescritor e passa a ser o filtro entre a evidência e a tendência — o que exige atualização científica constante e repertório para dialogar com um paciente cada vez mais exposto a informação de qualidade desigual.
É essa a régua da curadoria do Nutrição Brasil 2026: temas à frente da tendência, tratados com profundidade clínica — do preparo metabólico do paciente em uso de análogos de GLP-1 à ciência da recuperação, da microbiota ao comportamento alimentar.
O reencontro de Brunno Falcão com Belém
A edição também marca um reencontro. Em maio de 2025, Brunno Falcão — CEO da Science Play e idealizador do Nutrição Brasil — esteve em Belém na turnê de lançamento de Zona Desconforto (Editora Gente), que lotou o Teatro Maria Sylvia Nunes em 15 de maio, entre Brasília, São Paulo e Balneário Camboriú. Duas semanas depois, o livro estreou em primeiro lugar na lista de mais vendidos do PublishNews na categoria autoajuda — o ranking que consolida as vendas de 49 redes e livrarias do país.
Um ano depois, o autor best-seller volta à cidade — desta vez não com um livro, mas com o evento que constrói há 12 anos: criado em Brasília em 2014, o Nutrição Brasil já passou por 13 capitais e soma mais de 10 mil participantes, segundo dados do próprio evento.
Um sábado de imersão no Hotel Sagres
Em Belém, a tese nacional se materializa em um dia inteiro de imersão no Hotel Sagres, com oito nomes no palco: além de Brunno Falcão, que conduz o encontro, sobem ao palco a Dra. Adriana Treme, a Dra. Aline Zago, o Dr. André Eluan, o Dr. Henrique Freire, a Dra. Olivia Fernandes, o Dr. Omar de Faria e o Dr. Victor Prieto — nomes que circulam entre nutrição clínica, nutrição esportiva, medicina e performance.
Numa cidade onde o açaí, o tucupi, o jambu e o pescado amazônico fazem parte da rotina alimentar — e cada vez mais da pauta científica —, discutir o futuro da nutrição ganha um contexto que nenhuma outra capital oferece.
Serviço
Nutrição Brasil 2026 — Edição Belém
📅 19 de setembro de 2026 (sábado)
📍 Hotel Sagres — Belém/PA
🎟️ Imersão R$ 547 · Premium R$ 947 (50 vagas)